
OPINIÃO ECONÔMICA
No decorrer dos últimos anos podemos perceber que as questões referentes ao crescimento econômico foram abandonadas em Dores do Indaiá. Projetos, programas e ações para estimular a atividade produtiva e fomentar a economia local foram abandonados ou sequer foram implementados. A falta de visão, de idéias e de iniciativa é a tônica de um governo incapaz de alavancar e/ou promover profundas transformações e avanços significativos, sejam eles econômicos, sociais e culturais.
O grande projeto daqueles que governam Dores do Indaiá atualmente é ”ganhar eleições”, deixando de lado questões fundamentais e prioritárias no que se refere a gestão de um município de pequeno porte, com uma economia pouco dinâmica, onde o setor público deveria ser um agente fundamental para promover crescimento econômico e, consequentemente, bem estar social. Os critérios políticos se sobrepõe aos critérios técnicos, debater sobre economia é perda de tempo, pois não representa retorno eleitoral. A inércia, ou mesmo a falta de capacidade desse governo, tem afetado profundamente a economia local, e transformado Dores do Indaiá em cidade economicamente periférica, até mesmo a nível micro-regional.
Diante das inúmeras mazelas sociais e do visível arrefecimento da atividade econômica local, estamos todos atônitos com os últimos acontecimentos envolvendo desvio de recursos, propinas e outras falcatruas, algumas das quais já devidamente comprovadas por investigações da Polícia Federal. Fatos estes que repercutiram nos veículos de comunicação de todo País, expondo nossa cidade de forma negativa no cenário nacional.
Isso tudo que vem acontecendo é o resultado, a “coroação” de um modelo nefasto e vicioso de “política comercial/negocial” que se estabeleceu em Dores do Indaiá nos últimos tempos. Nosso cenário político/administrativo foi “invadido” por pessoas limitadas e completamente despreparadas para a gestão da coisa pública. Pessoas apenas com interesses eleitoreiros em próximas eleições.
Não existe sequer um debate sobre a profunda crise econômica que Dores do Indaiá passa atualmente. A impressão que fica é que nossas lideranças e autoridades não tem conhecimento deste fato, o que torna ainda mais explícito a incapacidade daqueles que direcionam os rumos da cidade. Estamos sem um norte, somos um barco a deriva, sem leme, sem comando, sem direção. A falta de visão é explícita e chocante. A incapacidade de imaginação e criatividade é berrante. As mentes são completamente fechadas, limitadas e obscuras. Falta inteligência, falta massa crítica.
Nossa juventude não tem espaço para desenvolver suas potencialidades, vocações e competências, dado que esse mesmo espaço é ocupado por pessoas ultrapassadas, sem nenhum senso progressista e visão desenvolvimentista. Por outro lado, as grandes inteligências e cabeças-pensantes da cidade, que muito poderiam ajudar a reverter esse quadro recessivo, são completamente descartadas, deixadas de lado, pois na verdade representam uma ameaça ao ridículo e degradante “projeto” de perpetuação no poder estabelecido por estes que hoje aí estão.
Essa completa decadência econômica, social, cultural e, até mesmo moral, tem afetado profundamente os brios e a auto-estima de todos nós dorenses. Mas não perderemos a esperança, pois acreditamos em nossa capacidade de realização. Vamos unir forças, buscar novas alternativas de desenvolvimento, usando a criatividade, a imaginação, a inovação. Nós iremos sim, sair do “fundo do poço”, e iniciar um novo tempo, um novo “ciclo virtuoso” de desenvolvimento sócio-econômico, sem politicagem nem politiqueiros.
JULIO CESAR MARQUES
Economista/Empresário
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