segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

OPINIÃO ECONÔMICA - 17/01/2011


OPINIÃO ECONÔMICA

Inadimplência Expõe as Fragilidades Econômicas de Dores do Indaiá

A perda do poder de compra da população dorense nos últimos anos revela sua face mais cruel nos altos níveis de inadimplência nas instituições financeiras e no comércio varejista local. Em função do aumento do custo de vida e da retração na renda da população, induzida pelo arrefecimento na atividade econômica na cidade, o varejo, setor que mais gera empregos no município (47% do total), vem sendo o mais penalizado. Não por uma crise momentânea, passageira, mas sim por uma crise sistêmica, que contamina toda economia municipal via “efeito multiplicador” do desaquecimento econômico.

A ação conjunta desses elementos (aumento no custo de vida + retração da renda + desaquecimento da atividade econômica) mergulhou Dores do Indaiá na maior estagnação econômica dos últimos tempos, elevando a taxa de inadimplência a níveis jamais observados anteriormente. No entanto, o que mais preocupa é o fato de atualmente o município não dispor de uma base de dados para mensurar com precisão a magnitude desse forte movimento de desaceleração econômica. Ou seja, não temos números que indiquem a profundidade da crise.

Dada a escassez de indicadores macroeconômicos, os “termômetros” mais eficientes que temos em mãos para dimensionar os movimentos de expansão e contração da atividade econômica, ou seja, mensurar o ciclo dos negócios no município são: a Taxa de Inadimplência e o Produto Interno Bruto (PIB). Analisando a aceleração do nível de inadimplência e a forte contração do PIB nos últimos anos, a conclusão que podemos chegar é uma só: Tecnicamente, a cidade “quebrou”. A síntese matemática, fria e exata, é a prova técnica que corrobora o atual estágio de “default” que se configurou na economia dorense. No entanto, creio que o mais importante é a cooperação de todos (cidadãos, empresários, lideranças, autoridades etc) no sentido de buscar alternativas que promovam um novo surto de crescimento econômico no município, e consequentemente façam retroceder os níveis de insolvência, falências e inadimplência.

A recessão se manifesta e se materializa no dia a dia das empresas, dos negócios e dos cidadãos. O que o povo dorense está vivendo neste momento não é uma crise qualquer ou uma conjuntura desfavorável que logo vai passar. Trata-se de uma desaceleração econômica generalizada, um “círculo vicioso” de desaquecimento, estagnação e recessão. O resultado desse processo recessivo é que aproximadamente 40% dos negócios se tornaram “virtuais”. Ou seja, não existe dinheiro suficiente para cobrir todas as despesas e gastos das empresas e da população. 40% das transações econômicas são efetivadas sem lastro financeiro (não há renda suficiente para honrar os negócios fechados e os compromissos assumidos), ou melhor, de todo o dinheiro que circula no município, 40% simplesmente não existe.

Para empresas e famílias é insustentável operar neste ambiente de negócios a médio e longo prazo. O “efeito dominó” da inadimplência corrói o poder de reação dos agentes econômicos, comprometendo a renda per-capita da população e retrocedendo os níveis de produção e consumo. Diante disso, as empresas e famílias não conseguem romper o “círculo vicioso” da descapitalização crônica, insuficiência de liquidez, inadimplência e incapacidade de poupança. A configuração deste cenário fez com que os agentes econômicos perdesse dinamismo, não tendo mais forças para cumprir seu principal papel, que é o de promover novos surtos de expansão econômica.

A absoluta omissão do governo municipal, através da falta de políticas, programas e projetos voltados para o desenvolvimento econômico trouxe conseqüências danosas a nossa economia, com empresários e cidadãos tendo que pagar um ônus elevado por essa negligência. Nosso município não tem política econômica, e atualmente não dispõe de dados estatísticos sobre a economia local. Não contamos com um programa de governo voltado para a promoção da atividade econômica. Em resumo, nossa economia é um “barco à deriva”, sem leme, sem capitão, sem direção e sem planejamento.

Falta visão sistêmica, criatividade, imaginação e inovação. Enfim, falta massa crítica, inteligência. Ademais, não seria saudável criar “paliativos” agora, às pressas, sem planificação e com objetivos certamente eleitoreiros, pois não é de politicagem que estamos precisando. Precisamos sim, de cérebros, conhecimento, aprendizagem, informação e qualidade suficiente para fomentar(estimular) o crescimento econômico sustentado de Dores do Indaiá. A insustentabilidade da atual conjuntura está exigindo ações concretas no sentido de reverter este quadro de recessão e inadimplência, e estamos a espera de verdadeiros “tomadores de decisões” para esta empreitada, ou seja, a de colocar a economia dorense na trilha do crescimento.

Julio César Marques

Economista / Empresário

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

OPINIÃO ECONÔMICA
A Inadiável Retomada do Crescimento Econômico em Dores do Indaiá

O reaquecimento da atividade econômica em Dores do Indaiá impõe-se, hoje, como objetivo prioritário de política pública municipal. Não é necessário argumentar porque esse objetivo é crucial. Saltam à vista os efeitos perversos do processo recessivo que se configurou na economia dorense nos últimos anos. A desaceleração significou acúmulo de estoques, redução de escalas de produção e vendas, cortes nos orçamentos, desestímulo às decisões de investimento e, consequentemente, a expansão estratosférica da taxa de desemprego. O resultado desse arrefecimento é conhecido; estabeleceu-se um “círculo vicioso” na economia local de difícil reversão.
A expansão do desemprego, efeito pior da crise recessiva, transformou-se em causa de maior recessão. Pôs-se em marcha um “efeito multiplicador” negativo, que redundou na diminuição da renda agregada, na redução de gastos com consumo e investimentos e, na redução da arrecadação tributária.
Quando as palavras “corte” e “redução” se transformam em expressões de uso corrente, praticadas ao mesmo tempo por todas as empresas, como medidas para sobreviver à crise, o efeito macroeconômico paradoxal, que atingiu a todos, resultou em mais crises e dificuldades. O estancamento desse círculo vicioso é imperativo. Por motivos não apenas econômicos, mas também sociais e político-institucionais, é necessário e urgente revertê-lo. E isto é possível, sem que se destruam ainda mais a nossa castigada classe empreendedora. Isso porque, com a omissão do poder público municipal, o que evitou um aprofundamento ainda maior desse ciclo econômico recessivo em Dores do Indaiá foi a coragem e a capacidade de sobrevivência das empresas locais diante do ambiente adverso materializado na economia dorense nos últimos anos.
No entanto, minha percepção indica que podemos entrar em uma nova fase a partir de 2012, em que o poder público municipal passa a ter um comportamento pró-ativo em relação ao crescimento econômico e se torna um agente fundamental para que o processo de retomada possa se solidificar. Creio que o momento é propício para o próximo governo municipal ousar. E ousadia a partir de agora significa: 1)- Criar mecanismos e instrumentos de estímulos às atividades econômicas internas; 2)- Buscar novos mercados para os produtos “Made in Dores”, injetando liquidez na economia local; 3)- Usar a capacidade empreendedora do nosso provo como alavanca de crescimento econômico.
A retomada do crescimento e a reversão das expectativas poderão trazer novos capitais externos ao município. E serão capitais com interesses produtivos e estratégicos. Por esse conjunto de razões, é hora de ousar. Competência técnica, capital político interno e credibilidade contam-se entre os atributos positivos do futuro governo municipal. E são atributos fundamentais para uma “virada de jogo” mais ousada e, seguramente, mais sintonizada com os anseios de um município que deseja o crescimento econômico e a prosperidade social. Reativar a economia local com determinação é preciso. É necessário. E é possível.

Julio Cesar Marques
Economista / Empresário