
OPINIÃO ECONÔMICA
Inadimplência Expõe as Fragilidades Econômicas de Dores do Indaiá
A perda do poder de compra da população dorense nos últimos anos revela sua face mais cruel nos altos níveis de inadimplência nas instituições financeiras e no comércio varejista local. Em função do aumento do custo de vida e da retração na renda da população, induzida pelo arrefecimento na atividade econômica na cidade, o varejo, setor que mais gera empregos no município (47% do total), vem sendo o mais penalizado. Não por uma crise momentânea, passageira, mas sim por uma crise sistêmica, que contamina toda economia municipal via “efeito multiplicador” do desaquecimento econômico.
A ação conjunta desses elementos (aumento no custo de vida + retração da renda + desaquecimento da atividade econômica) mergulhou Dores do Indaiá na maior estagnação econômica dos últimos tempos, elevando a taxa de inadimplência a níveis jamais observados anteriormente. No entanto, o que mais preocupa é o fato de atualmente o município não dispor de uma base de dados para mensurar com precisão a magnitude desse forte movimento de desaceleração econômica. Ou seja, não temos números que indiquem a profundidade da crise.
Dada a escassez de indicadores macroeconômicos, os “termômetros” mais eficientes que temos em mãos para dimensionar os movimentos de expansão e contração da atividade econômica, ou seja, mensurar o ciclo dos negócios no município são: a Taxa de Inadimplência e o Produto Interno Bruto (PIB). Analisando a aceleração do nível de inadimplência e a forte contração do PIB nos últimos anos, a conclusão que podemos chegar é uma só: Tecnicamente, a cidade “quebrou”. A síntese matemática, fria e exata, é a prova técnica que corrobora o atual estágio de “default” que se configurou na economia dorense. No entanto, creio que o mais importante é a cooperação de todos (cidadãos, empresários, lideranças, autoridades etc) no sentido de buscar alternativas que promovam um novo surto de crescimento econômico no município, e consequentemente façam retroceder os níveis de insolvência, falências e inadimplência.
A recessão se manifesta e se materializa no dia a dia das empresas, dos negócios e dos cidadãos. O que o povo dorense está vivendo neste momento não é uma crise qualquer ou uma conjuntura desfavorável que logo vai passar. Trata-se de uma desaceleração econômica generalizada, um “círculo vicioso” de desaquecimento, estagnação e recessão. O resultado desse processo recessivo é que aproximadamente 40% dos negócios se tornaram “virtuais”. Ou seja, não existe dinheiro suficiente para cobrir todas as despesas e gastos das empresas e da população. 40% das transações econômicas são efetivadas sem lastro financeiro (não há renda suficiente para honrar os negócios fechados e os compromissos assumidos), ou melhor, de todo o dinheiro que circula no município, 40% simplesmente não existe.
Para empresas e famílias é insustentável operar neste ambiente de negócios a médio e longo prazo. O “efeito dominó” da inadimplência corrói o poder de reação dos agentes econômicos, comprometendo a renda per-capita da população e retrocedendo os níveis de produção e consumo. Diante disso, as empresas e famílias não conseguem romper o “círculo vicioso” da descapitalização crônica, insuficiência de liquidez, inadimplência e incapacidade de poupança. A configuração deste cenário fez com que os agentes econômicos perdesse dinamismo, não tendo mais forças para cumprir seu principal papel, que é o de promover novos surtos de expansão econômica.
A absoluta omissão do governo municipal, através da falta de políticas, programas e projetos voltados para o desenvolvimento econômico trouxe conseqüências danosas a nossa economia, com empresários e cidadãos tendo que pagar um ônus elevado por essa negligência. Nosso município não tem política econômica, e atualmente não dispõe de dados estatísticos sobre a economia local. Não contamos com um programa de governo voltado para a promoção da atividade econômica. Em resumo, nossa economia é um “barco à deriva”, sem leme, sem capitão, sem direção e sem planejamento.
Falta visão sistêmica, criatividade, imaginação e inovação. Enfim, falta massa crítica, inteligência. Ademais, não seria saudável criar “paliativos” agora, às pressas, sem planificação e com objetivos certamente eleitoreiros, pois não é de politicagem que estamos precisando. Precisamos sim, de cérebros, conhecimento, aprendizagem, informação e qualidade suficiente para fomentar(estimular) o crescimento econômico sustentado de Dores do Indaiá. A insustentabilidade da atual conjuntura está exigindo ações concretas no sentido de reverter este quadro de recessão e inadimplência, e estamos a espera de verdadeiros “tomadores de decisões” para esta empreitada, ou seja, a de colocar a economia dorense na trilha do crescimento.
Julio César Marques
Economista / Empresário
